Home Data de criação : 08/02/18 Última atualização : 09/07/04 00:47 / 77 Artigos publicados
 

Opinião  escrito em sábado 04 julho 2009 00:47

 PAUSAS, APRENDIZAGENS E REGRESSOS

Durante um ano trabalha-se, têm-se alturas árduas de compromissos, épocas de cansaço, pontualmente vive-se alguma saturação, em alguns casos desentendimentos ou rivalidades, visões diferentes dos assuntos que geram incompreensão e insegurança, momentos de satisfação, horas de cavaqueio pós-laboral inerente às nossas funções e – sempre – a vontade de férias.

O trabalho é salutar, dá-nos objectivos, desgasta-nos, proporciona-nos algum conforto e rendimentos e, porque produzindo contribuímos para o bem estar da sociedade em que vivemos, inventaram-se as férias: elas permitem-nos a necessária pausa para continuarmos a produzir mas também novo círculo em que a moeda se troca, o emprego se garante e a economia se sustenta. Para a maioria de nós, sem trabalho não teríamos rendimentos nem a possibilidade de, pelo menos uma vez no ano, nos sentirmos donos de nós mesmos: com dinheiro, sem horários, com tempo para o lazer e para novas descobertas!

O próprio turismo evoluiu, tornou-se abrangente, diversificado, contemplando o urbanismo e a natureza, o sossego e o desporto, a cultura, a própria religião... E o ano de trabalho não nos parece o mesmo se, por qualquer razão, antevemos um final de ano sem férias, isto é, sem podermos mudar de ambiente e de rotinas.

O grande prazer inicia-se quando começamos a programá-las, a sonhá-las, a torná-las concretizáveis...

De acordo com os nossos condicionalismos (o dinheiro, a família, a saúde, ...) lá vamos, com as expetativas ao alto, erguidas como bandeira nacional, em final europeia.

Se viajarmos em grupo, o melhor cruzeiro no Bósforo ou a magnífica “Fontana di Trevi” só têm verdadeiro encanto caso as pessoas com quem estamos usem a mesma conotação linguística ou, pelo menos, demonstrem os mesmos interesses e (ou) valores / atitudes compartilhados por nós. As férias conjuntas, como o trabalho diário, acabam por afastar ou aproximar “definitivamente” as pessoas.

Há férias (lugares e gentes) que nos tocam tanto como aqueles professores que marcaram – profunda e definitivamente - a nossa vida. Outras são para esquecer...

Perante elas, as reacções também estão longe de ser as mesmas.

Alguns vão de férias e guardam-nas na alma.

Parte de nós comenta-as, de forma natural e sem exageros, com quem está mais próximo e

nas devidas proporções de ocasião.

Outros fazem alarido delas: contam episódios, alongam descrições, exibem compras e indicam preços sem serem questionados. Há até quem quase obrigue os demais a visualizarem dezenas e dezenas de fotos, no emprego, e filmes enfadonhos, quando recebem visitas.

Há quem nunca aprecie totalmente os locais que escolhe: ou pela falta de qualidade do serviço, ou pelos costumes “incompreensíveis”, umas vezes pela limitação dos hotéis, outras tantas pela deficiente alimentação proporcionada.... Fazem valer a importância que parecem não ter durante o ano: exigem, chegam sempre tarde, nunca gostam do que lhes é destinado, deixando a impressão de serem pessoas que saem da rotina poucas vezes, passando as férias a incomodar todos os outros, tal como fazem no emprego, tal como fazem na vida!

Enfim, a concretização de férias, como a materialização dos sonhos, não é ideal. Constitui, isso sim, uma oportunidade. Uma excelente maneira de conhecermos personalidades e modos de agir e mais uma forma de aprendermos, se formos capazes.

Agora que regressámos, a nossa Ilha apresenta-se-nos ainda mais bonita e parecemos gostar ainda mais dela.

Poderemos tentar fazer o mesmo com as pessoas, esquecendo, para isso, algum pequeno dissabor, uma ou outra incompatibilidade, reencontrando-as com uma certa dose de tolerância e cortesia: pelo menos, fica-nos a certeza de lhes termos dado a oportunidade de nos tratarem com o mesmo decoro, durante o ano preenchido que agora começa. Mas também lhes devemos fazer sentir a velha máxima de Aristóteles, segundo a qual ninguém é dono da nossa felicidade e, por isso, não podemos entregar “a nossa alegria, a nossa paz e a nossa vida nas mãos de ninguém”, por muita ternura que nos suscite ou por muito respeito que nos mereça!


ANTÓNIO CASTRO

(Opinião – Revista Saber

Direitos Reservados)

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SOBRE O PORTO - CIDADE...  escrito em terça 19 maio 2009 00:32

ARTIGO DE OPINIÃO

SABER - MADEIRA

(DIREITOS RESERVADOS)

VISITAR E CONHECER...

 

 

É à beira-Douro que a cidade se abraça. O casario aconchega-se, com medo do frio, o quotidiano acontece em aproximação tal, que o individual se torna, inevitavelmente, parte integrante do colectivo.

Os barcos deslizam no rio e um artista de qualquer rua, talvez Escura, dá alma a um violino. Aquela paisagem imponente, magnífica e única, contrasta com o vetusto casario, gasto pelos maus tratos contínuos do tempo...

No pulsar da Cidade, os estrangeiros coram nas esplanadas, como roupa no estendal, e um falaraz exibicionista fura a paz e os pensamentos, com acutilâncias de alfinete. Há sempre alguém que nos invade o silêncio, teimando em impedir que o voo interior se reflicta no olhar e balance com as ondas, ao encontro do enleio e do sonho. E esse é um salutar arquivo de energias, que nos aprovisiona de cores para o confronto com os vários quotidianos cinzentos, que o futuro (também) trará. Daí a necessidade de assinalarmos, com sentido proibido, aqueles incómodos de aranha voraz, que são as recordações do passado e as preocupações do futuro. São alturas em que a grande questão se coloca no saber fintar as vielas ardilosas da vida, fincando parêntesis nas obrigações e nas agruras, assenhoreando-nos do espaço e do tempo interiores, como a gaivota no azul, que é o tecto do rio.

E o leito do Douro corre, sem horários ou normas, preocupações ou juízos...

Perante o dever e a vida em sociedade, de vez em quando é bom não estar, para se poder ser, saboreando a essência em golinhos miúdos.

As gentes multiplicam-se, nas esplanadas e nos graníticos edifícios, que o turismo conserva. Uma placa assinala o Postigo do Carvão, sobrevivente da muralha fernandina do século XIV. Uma turista galga a pedra e esmera a pose, para o fotógrafo amado. Por fim, um qualquer relógio há-de cortar o devaneio e a subida revelar-se-à inevitável, até ao real, até ao coração da Cidade.

Lá em cima, quando o Porto se afasta do rio e depois da zona central, com o principal comércio e serviços, o crescimento vai-se estendendo em particularidades e dicotomias: da Boavista - enriquecida por vivendas bonitas e andares de luxo - às Antas e à Foz, onde o mar apetece, mas também ao Aleixo e ao Cerco, bairros problemáticos da Cidade.

As urbes são o espelho dos cidadãos, tal como as casas constituem a principal marca das gentes na paisagem. Há partilhas patrimoniais que transformam vivendas em esqueletos degradados, comportamentos que geram sujidade e desleixo, disfunções sociais que são raiz de violência. Há burlices descaradas, pobreza envergonhada e dramas que corroem em silêncio.

Entretanto, o trânsito entope. Uma funcionária fecha a loja e corre. Um adolescente, diante de um espelho na montra, põe todo o drama de vida nas borbulhas. Nesse preciso instante, acontecem novos amores e vários divórcios, uns nascem e outros morrem, os acontecimentos deslizam como barcos...

Como é importante que os turistas não digam "conheço o Porto", se apenas forem à Cidade sem o tempo necessário para lhe interiorizarem a azáfama, os odores e o colorido. Como é bom os seres saberem parar, para medirem à urbe o borbulhar e, ao seu eu, a pulsação.

O que realmente importa, é que cada um não se limite a passar apenas pelos dias, como o combóio na ponte, rumo ao seu destino inevitável.

 

ANTÓNIO CASTRO

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Festival da Canção Infantil da Madeira  escrito em terça 21 abril 2009 01:57

Teve lugar o 28.º Festival da Canção Infantil.

Participo, como Autor, desde o 7.º Festival. Estreei-me com «A Escola» - Canção vencedora absoluta.

Este ano, voltei, como Autor da Letra, a integrar o Evento. Foram  2 as Canções:

- «Um Marciano na Ilha»

- «A Magia da Leitura».

Sobre o Festival e a minha recente participação, dar-vos-ei conta, em breve.

Ao Futuro!

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Sonoridades Especiais...  escrito em quarta 15 abril 2009 00:56

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(3.º) «Fidelis Award»  escrito em segunda 23 março 2009 02:42

Numa gentileza de: http://escritanaonda.arteblog.com.br!

Obrigado e...

Ao Futuro!

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